IGREJA PRESBITERIANA INDEPENDENTE DE PENDÊNCIAS


Thursday, July 31, 2008

A História do Amor de Deus


1. A criação do mundo
“No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gênesis 1.1).
Deus criou o mundo e tudo o que existe: o céu, a terra, o mar, as plantas, os animais... Criou também o homem e a mulher, que viviam bem com Ele e eram muito felizes.
2. O pecado
“Deus perguntou: Você comeu do fruto da árvore da qual lhe proibi comer?” (Gênesis 3.11, NVI).
Mas o Diabo, por meio da serpente, tentou Eva. Então ela e Adão desobedeceram a Deus. Desobediência é pecado. Por isso, eles foram expulsos do Paraíso e ficaram longe de Deus.
3. A vinda de Jesus
“Deus enviou seu Filho” (Gálatas 4.4).
Por amar todas as pessoas, Deus enviou Seu Filho Jesus, para elas voltarem a viver bem com Ele. Jesus nasceu em Belém. José e Maria cuidaram do menino até que Ele crescesse.
4. A morte de Jesus
“Cristo morreu pelos nossos pecados” (1 Coríntios 15.3).
A Bíblia ensina que todos têm de ser castigados por sua desobediência a Deus. Esse castigo é a morte eterna no inferno. Jesus sofreu o castigo por nós. Ele deu Sua vida na cruz para pagar pelos pecados de todo o mundo.
5. A ressurreição de Jesus
“Ele não está aqui; ressuscitou” (Mateus 28.6).
Mas, depois de sepultado, Ele ressuscitou! Jesus não continuou morto – Ele voltou a viver. Que grande alegria e esperança! Temos um Senhor vivo que quer nos perdoar e salvar do castigo.
6. E agora?
Convide Jesus a entrar em seu coração. Ele vai limpar sua vida e cuidar de você. Peça para Jesus ser seu Salvador e um dia você estará no céu com Cristo, para sempre!

Jesus quer ser seu maior Amigo. Leia a Bíblia para aprender mais sobre Ele. Fale com Jesus em oração – você pode conversar com Ele sobre tudo que quiser. (desenhos: © Dirceu Veiga – texto: Ione Haake - http://www.ajesus.com.br)

Disponível como folheto.
Divulgue a mensagem da Salvação.
DESCONTOS para quantidades.
Peça já! »


Fonte: http://www.ajesus.com.br/mensagens/historia.shtml


Wednesday, July 30, 2008

A Igreja do gosto do freguês




O movimento chamado "igreja ao gosto do freguês" está invadindo muitas denominações evangélicas, propondo evangelizar através da aplicação das últimas técnicas de marketing. Tipicamente, ele começa pesquisando os não-crentes (que um dos seus líderes chama de "desigrejados" ou "João e Maria desigrejados"). A pesquisa questiona os que não freqüentam quaisquer igrejas sobre o tipo de atração que os motivaria a assistir às reuniões. Os resultados do questionário mostram as mudanças que poderiam ser feitas nos cultos e em outros programas para atrair os "desigrejados", mantê-los na igreja e ganhá-los para Cristo. Os que desenvolvem esse método garantem o crescimento das igrejas que seguirem cuidadosamente suas diretrizes aprovadas. Praticamente falando, dá certo!

Duas igrejas são consideradas modelos desse movimento: Willow Creek Community Church (perto de Chicago), pastoreada por Bill Hybels, e Saddleback Valley Church (ao sul de Los Angeles) pastoreada por Rick Warren. Sua influência é inacreditável. Willow Creek formou sua própria associação de igrejas, com 9.500 igrejas-membros. Em 2003, 100.000 líderes de igrejas assistiram no mínimo a uma conferência para líderes realizada por Willow Creek. Acima de 250.000 pastores e líderes de mais de 125 países participaram do seminário de Rick Warren ("Uma Igreja com Propósitos"). Mais de 60 mil pastores recebem seu boletim semanal.

Visitamos Willow Creek há algum tempo. Pareceu-nos que essa igreja não poupa despesas em sua missão de atrair as massas. Depois de passar por cisnes deslizando sobre um lago cristalino, vê-se o que poderia ser confundido com a sede de uma corporação ou um shopping center de alto padrão. Ao lado do templo existe uma grande livraria e uma enorme área de alimentação completa, que oferece cinco cardápios diferentes. Uma tela panorâmica permite aos que não conseguiram lugar no santuário ou que estão na praça de alimentação assistirem aos cultos. O templo é espaçoso e moderno, equipado com três grandes telões e os mais modernos sistemas de som e iluminação para a apresentação de peças de teatro e musicais.

Sem dúvida, Willow Creek é imponente, mas não é a única megaigreja que tem como alvo alcançar os perdidos através dos mais variados métodos. Megaigrejas através dos EUA adicionam salas de boliche, quadras de basquete, salões de ginástica e sauna, espaços para guardar equipamentos, auditórios para concertos e produções teatrais, franquias do McDonalds, tudo para o progresso do Evangelho. Pelo menos é o que dizem. Ainda que algumas igrejas estejam lotadas, sua freqüência não é o único elemento que avaliamos ao analisar essa última moda de "fazer igreja".

O alvo declarado dessas igrejas é alcançar os perdidos, o que é bíblico e digno de louvor. Mas o mesmo não pode ser dito quanto aos métodos usados para alcançar esse alvo. Vamos começar pelo marketing como uma tática para alcançar os perdidos. Fundamentalmente, marketing traça o perfil dos consumidores, descobre suas necessidades e projeta o produto (ou imagem a ser vendida) de tal forma que venha ao encontro dos desejos do consumidor. O resultado esperado é que o consumidor compre o produto. George Barna, a quem a revista Christianity Today (Cristianismo Hoje) chama de "o guru do crescimento da igreja", diz que tais métodos são essenciais para a igreja de nossa sociedade consumista. Líderes evangélicos do movimento de crescimento da igreja reforçam a idéia de que o método de marketing pode ser aplicado – e eles o têm aplicado – sem comprometer o Evangelho. Será?

Em primeiro lugar o Evangelho, e mais significativamente a pessoa de Jesus Cristo, não cabem em nenhuma estratégia de mercado. Não são produtos a serem vendidos. Não podem ser modificados ou adaptados para satisfazer as necessidades de nossa sociedade consumista. Qualquer tentativa nessa direção compromete de algum modo a verdade sobre quem é Cristo e do que Ele fez por nós. Por exemplo, se os perdidos são considerados consumidores, e um mandamento básico de marketing diz que o freguês sempre tem razão, então qualquer coisa que ofenda os perdidos deve ser deixada de lado, modificada ou apresentada como sem importância. A Escritura nos diz claramente que a mensagem da cruz é "loucura para os que se perdem" e que Cristo é uma "pedra de tropeço e rocha de ofensa" (1 Co 1.18 e 1 Pe 2.8).

Algumas igrejas voltadas ao consumidor procuram evitar esse aspecto negativo do Evangelho de Cristo enfatizando os benefícios temporais de ser cristão e colocando a pessoa do consumidor como seu principal ponto de interesse. Mesmo que essa abordagem apele para a nossa geração acostumada à gratificação imediata, ela não é o Evangelho verdadeiro nem o alvo de vida do crente em Cristo.

Em segundo lugar, se você quiser atrair os perdidos oferecendo o que possa interessá-los, na maior parte do tempo estará apelando para seu lado carnal. Querendo ou não, esse parece ser o modus operandi dessas igrejas. Elas copiam o que é popular em nossa cultura – músicas das paradas de sucesso, produções teatrais, apresentações estimulantes de multimídia e mensagens positivas que não ultrapassam os trinta minutos. Essas mensagens freqüentemente são tópicas, terapêuticas, com ênfase na realização pessoal, salientando o que o Senhor pode oferecer, o que a pessoa necessita – e ajudando-a na solução de seus problemas.

Essas questões podem não importar a um número cada vez maior de pastores evangélicos, mas, ironicamente, estão se tornando evidentes para alguns observadores seculares. Em seu livro The Little Church Went to Market (A Igrejinha foi ao Mercado), o pastor Gary Gilley observa que o periódico de marketing American Demographics reconhece que as pessoas estão:

...procurando espiritualidade, não a religião. Por trás dessa mudança está a procura por uma fé experimental, uma religião do coração, não da cabeça. É uma expressão de religiosidade que não dá valor à doutrina, ao dogma, e faz experiências diretamente com a divindade, seja esta chamada "Espírito Santo" ou "Consciência Cósmica" ou o "Verdadeiro Eu". É pragmática e individual, mais centrada em redução de stress do que em salvação, mais terapêutica do que teológica. Fala sobre sentir-se bem, não sobre ser bom. É centrada no corpo e na alma e não no espírito. Alguns gurus do marketing começaram a chamar esse movimento de "indústria da experiência" (pp. 20-21). Existe outro item que muitos pastores parecem estar deixando de considerar em seu entusiasmo de promover o crescimento da igreja atraindo os não-salvos. Mesmo que os números pareçam falar mais alto nessas "igrejas ao gosto do freguês" (um número surpreendente de igrejas nos EUA (841) alcançaram a categoria de megaigreja, com 2.000 a 25.000 pessoas presentes nos finais de semana), poucos perceberam que o aumento no número de membros não se deve a um grande número de "desigrejados" juntando-se à igreja.

Durante os últimos 70 anos, a percentagem da população dos EUA que vai à igreja tem sido relativamente constante (mais ou menos 43%). Houve um crescimento, chegando a 49% em 1991 (no tempo do surgimento dessa nova modalidade de igreja), mas tal crescimento diminuiu gradualmente, retornando a 42% em 2002 (www.barna.org). De onde, então, essas megaigrejas, que têm se esforçado para acomodar pessoas que nunca se interessaram pelo Evangelho, conseguem seus membros? Na maior parte, de igrejas menores que não estão interessadas ou não têm condições financeiras de propiciar tais atrações mundanas. O que dizer das multidões de "desigrejados" que supostamente se chegaram a essas igrejas? Essas pessoas constituem uma parcela muito pequena das congregações. G.A. Pritchard estudou Willow Creek por um ano e escreveu um livro intitulado Willow Creek Seeker Services (Baker Book House, 1996). Nesse livro ele estima que os "desigrejados", que seriam o público-alvo, constituem somente 10 ou 15% dos 16.000 membros que freqüentam os cultos de Willow Creek.

Se essa percentagem é típica entre igrejas "ao gosto do freguês", o que provavelmente é o caso, então a situação é bastante perturbadora. Milhares de igrejas nos EUA e em outros países se reestruturaram completamente, transformando-se em centros de atração para "desigrejados". Isso, aliás, não é bíblico. A igreja é para a maturidade e crescimento dos santos, que saem pelo mundo para alcançar os perdidos. Contudo, essas igrejas voltaram-se para o entretenimento e a conveniência na tentativa de atrair "João e Maria", fazendo-os sentirem-se confortáveis no ambiente da igreja. Para que eles continuem freqüentando a "igreja ao gosto do freguês", evita-se o ensino profundo das Escrituras em favor de mensagens positivas, destinadas a fazer as pessoas sentirem-se bem consigo mesmas. À medida que "João e Maria" continuarem freqüentando a igreja, irão assimilar apenas uma vaga alusão ao ensino bíblico que poderá trazer convicção de pecado e verdadeiro arrependimento. O que é ainda pior, os novos membros recebem uma visão psicologizada de si mesmos que deprecia essas verdades. Contudo, por pior que seja a situação, o problema não termina por aí.

A maior parte dos que freqüentam as "igrejas ao gosto do freguês" professam ser cristãos. No entanto, eles foram atraídos a essas igrejas pelas mesmas coisas que atraíram os não-crentes, e continuam sendo alimentados pela mesma dieta biblicamente anêmica, inicialmente elaborada para não-cristãos. Na melhor das hipóteses, eles recebem leite aguado; na pior das hipóteses, "alimento" contaminado com "falatórios inúteis e profanos e as contradições do saber, como falsamente lhe chamam" (2 Tm 6.20) . Certamente uma igreja pode crescer numericamente seguindo esses moldes, mas não espiritualmente.

Além do mais, não há oportunidades para os crentes crescerem na fé e tornarem-se maduros em tal ambiente. Tentando defender a "igreja ao gosto do freguês", alguns têm argumentado que os cultos durante a semana são separados para discipulado e para o estudo profundo das Escrituras. Se esse é o caso, trata-se de uma rara exceção e não da regra!

Como já notamos, a maioria dessas igrejas, no uso do seu tempo, energia e finanças tem como alvo acomodar os "desigrejados". Conseqüentemente, semana após semana, o total da congregação recebe uma mensagem diluída e requentada. Então, na quarta-feira, quando a congregação usualmente se reduz a um quarto ou a um terço do tamanho normal, será que esse pequeno grupo recebe alimentação sólida da Palavra de Deus, ensino expositivo e uma ênfase na sã doutrina? Dificilmente. Nunca encontramos uma "igreja ao gosto do freguês" onde isso acontecesse. As "refeições espirituais" oferecidas nos cultos durante a semana geralmente são reuniões de grupos e aulas visando o discernimento dos dons espirituais, ou o estudo de um "best-seller" psico-cristão, ao invés do estudo da Bíblia.

Talvez o aspecto mais negativo dessas igrejas seja sua tentativa de impressionar os "desigrejados" ao mencionar especialistas considerados autoridades em resolver todos os problemas mentais, emocionais e comportamentais das pessoas: psicólogos e psicanalistas. Nada na história da Igreja tem diminuído tanto a verdade da suficiência da Palavra de Deus no tocante a "todas as coisas que conduzem à vida e à piedade" (2 Pe 1.3) como a introdução da pseudociência da psicoterapia no meio cristão. Seus milhares de conceitos e centenas de metodologias não-comprovados são contraditórios e não científicos, totalmente não-bíblicos, como já documentamos em nossos livros e artigos anteriores. Pritchard observa:

...em Willow Creek, Hybels não somente ensina princípios psicológicos, mas freqüentemente usa esses mesmos princípios como guias interpretativos para sua exegese das Escrituras – o rei Davi teve uma crise de identidade, o apóstolo Paulo encorajou Timóteo a fazer análise e Pedro teve problemas em estabelecer seus limites. O ponto crítico é que princípios psicológicos são constantemente adicionados ao ensino de Hybels" (p. 156).

Durante minha visita a Willow Creek, o pastor Hybels trouxe uma mensagem que começou com as Escrituras e se referia aos problemas que surgem quando as pessoas mentem. Contudo, ele se apoiou no psiquiatra M. Scott Peck, o autor de The Road Less Travelled (Simon & Schuster, 1978) quanto às conseqüências desastrosas da mentira. Nesse livro, M. Scott Peck declara (pp. 269-70): "Deus quer que nos tornemos como Ele mesmo (ou Ela mesma)"!

A Saddleback Community Church está igualmente envolvida com a psicoterapia. Apesar de se dizer cristocêntrica e não centrada na psicologia, essa igreja tem um dos maiores números de centros dos Alcoólicos Anônimos e patrocina mais de uma dúzia de grupos de ajuda como "Filhos Adultos Co-Dependentes de Viciados em Drogas", "Mulheres Co-Viciadas Casadas com Homens Compulsivos Sexuais ou com Desordens de Alimentação" e daí por diante. Cada grupo é normalmente liderado por alguém "em recuperação" e os autores dos livros usados incluem psicólogos e psiquiatras (www.celebraterecovery.com). Apesar de negar o uso de psicologia popular, muito dela permeia o trabalho de Rick Warren, incluindo seu best-seller The Purpose Driven Life (A Vida Com Propósito), que já rendeu sete milhões de dólares. Em sua maior parte, o livro fala de satisfação pessoal, promove a celebração da recuperação e está cheio de psicoreferências tais como "Sansão era dependente".

A mensagem principal vinda das igrejas psicologicamente motivadas de Willow Creek e Saddleback é a de que a Palavra de Deus e o poder do Espírito Santo são insuficientes para livrar uma pessoa de um pecado habitual e para transformá-la em alguém cuja vida seja cheia de fruto e agradável a Deus. Entretanto, o que essas igrejas dizem e fazem tem sido exportado para centenas de milhares de igrejas ao redor do mundo.

Grande parte da igreja evangélica desenvolveu uma mentalidade de viagem de recreio em um cruzeiro cheio de atrações, mas isso vai resultar num "Titanic espiritual". Os pastores de "igrejas ao gosto do freguês" (e aqueles que estão desejando viajar ao lado deles) precisam cair de joelhos e ler as palavras de Jesus aos membros da igreja de Laodicéia (Ap 3.14-21). Eles eram "ricos e abastados" e, no entanto, deixaram de reconhecer que aos olhos de Deus eram "infelizes, miseráveis, pobres, cegos e nus". Jesus, fora da porta dessas igrejas, onde O colocaram desapercebidamente, oferece Seu conselho, a verdade da Sua Palavra, o único meio que pode fazer com que suas vidas sejam vividas conforme Sua vontade. Não pode existir nada melhor aqui na terra e na Eternidade!


Fonte: chamada.com.br

Tuesday, July 22, 2008

Evangélica, filha de Silvio Santos assume o SBT


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Por Revista Poder
21 de julho de 2008
Aos 32 anos, filha de Silvio Santos assume o comando com o desafio de recuperar a identidade do SBT. Nesta entrevista exclusiva ela fala sobre os seus planos, medos, inseguranças e sonhos. O que ela mais quer? Transformar a emissora do pai em um canal de entretenimento com conteúdo.
Para quem tem a ilusão de que Silvio Santos está vendo o tempo passar na janela enquanto a Record abocanha parte da sua audiência, o nome de Daniela Beyruti pode soar como uma grande novidade. Filha mais velha do casamento com Íris Abravanel – ela tem mais três irmãs e outras duas da primeira união de Silvio – , Daniela está no SBT há alguns anos, mas agora assumiu o papel mais relevante na empresa do pai: cabe a ela liderar a batalha para recolocar a emissora nos trilhos, no ano em que o Grupo Silvio Santos completa 50 anos.

Aos 32 anos, formada e pós-graduada em comunicação nos Estados Unidos, casada com o empresário Marcelo Beyruti, Daniela comanda uma equipe de 200 pessoas, na condição de responsável por todos os negócios da televisão. Sua missão é restaurar as fissuras do passado, como a que levou várias afiliadas espalhadas pelo Brasil a trocarem o SBT pela Record, e dar novo ânimo à emissora que perdeu a sua histórica vice-liderança.

Uma das metas de Daniela é melhorar a comunicação do SBT com as suas afiliadas, com a imprensa e a sociedade em geral. Esta entrevista concedida a PODER, diga-se, é a primeira de Daniela na condição de diretora da emissora. Quem a ler, verá que Silvio Santos é um homem de sorte. No fundo de seu imenso baú, ele encontrou o sangue novo da emissora dentro da família.

Daniela não faz pose de empresária, nem tem nada de patricinha. É doce e simples, mas tem opiniões seguras sobre todos os assuntos que dizem respeito ao seu mundo. Sem fazer alarde, mostra que está enxergando lá na frente. Sabe de seu papel e de sua responsabilidade neste momento. Uma tarefa nada fácil, convenhamos: assumir parte do comando de uma emissora que perdeu um naco de sua audiência, ainda mais no papel de filha do dono. “Cheguei aqui quando a gente estava perdendo a batalha.”

A seguir, os planos de Daniela para reverter essa situação.

NOS BASTIDORES
Estou na diretoria da geradora. Na verdade, o que eu estou fazendo aqui é aprender tudo que tem a ver com o negócio de televisão. A geradora está com a área comercial, marketing, assessoria de imprensa e o que envolve o show business da televisão. Eu conhecia e gosto bastante da área artística, mas é fundamental ver o lado do business da televisão. Estou no comando, mas, ao mesmo tempo, estou aprendendo. É muita coisa nova. Estou nos bastidores dos bastidores...

JOGADA ESTRATÉGICA
Essa mudança foi uma estratégia da empresa. O lado artístico já está dentro de mim. Eu gosto de televisão por natureza... é muito feeling. Agora, estou aprendendo a parte técnica. Só feeling não é suficiente. O lado artístico era o mais fácil, agora vim aprender o mais difícil.

TELEVISÃO: PAIXÃO E MISSÃO
Gosto de tudo. Amo televisão. Gosto de assistir, de fazer... Gosto da comunicação de massa. De saber que o que estamos fazendo aqui está afetando gente em todas as partes do país. Amo saber que a gente faz televisão para o Terceiro Mundo. A gente tem um canal de comunicação muito forte com o povo. A gente tem o poder, não sei se é a palavra certa, mas um canal de influência tanto para o bem quanto para o mal. Eu gostaria muito, do fundo do coração, de usar a televisão para alcançar coisas sociais que talvez a gente não consiga por meio do governo ou de outros segmentos. Dentro de uma novela, dentro de uma série, dentro de um programa podemos transmitir coisas básicas para o povo, que são fundamentais. Sou humanista. E isso me fascina na televisão.

COMO AJUDAR
Para isso, é preciso preparar o terreno. Não é algo que venha naturalmente. É uma questão de mudança de mentalidade. Não vai partir só de mim. Se todo mundo não abraçar essa idéia, fica uma coisa vazia, fica uma coisa aparente, mas não sincera. Tem de ter um querer geral. A satisfação de você fazer uma coisa que vai causar um efeito positivo é muito maior do que você fazer uma coisa vaga.

ÍDOLOS
A gente tinha 100 jovens na equipe do programa, tinha de viajar o Brasil inteiro por dois, três meses. Olhei e pensei: “Estou com um problema”. Eu sou nova, sou considerada a filha do dono, uma coisa que é chata e pode atrapalhar. Falei: “Vamos fazer com que o nosso ambiente de trabalho seja o mais profissional possível. Vamos entender que teremos de lidar com milhares de jovens em cada cidade que passarmos. Seremos a referência do programa para essas pessoas”. E pedi que as pessoas focassem, se comportassem, falei para as meninas que não podiam usar saia curta, mas no joelho. Pareceu uma coisa careta, a ditadura. Mas era uma questão profissional, não uma questão moral. Dia de folga, sai de biquíni na rua, não estou nem aí. Isso teve um efeito muito bom. É preciso, primeiro, ter uma consciência de onde você quer chegar, para depois alcançar o seu objetivo.

FORMAÇÃO
Crescendo, eu sempre dizia: “Não quero ser influenciada pelo trabalho do meu pai”. Entrei na Lynn University, em Boca Raton (Flórida), como indecisa, sem definir o que eu queria estudar. Fui estudar fora mais pela experiência, saber quem eu era. Fiz um ano do curso básico. Aí, fui assistir a uma aula de comunicação. E amei. Tinha algo dentro de mim que dizia: “Se eu confessar que gostei desse negócio, acabou! Não tem volta!”. Tentei outros cursos, mas não me encaixava. Aí, pensei: “Vou assumir que gosto disso – e paciência”. Vai ser difícil até confessar para o meu pai: “Eu gosto do que você gosta”. Era uma coisa esquisita. E sem a influência dele. Fui pra lá para saber “quem eu sou”, “o que eu quero” e me descobri. Passei os três anos, então, me especializando. Gostei muito. De tanto prazer que eu tive no curso de comunicação, nem digo que estudei.

O CHOQUE CULTURAL
Voltei para o Brasil em 2000, um pouco imatura, eu acho. Comecei a trabalhar aqui e tive um choque cultural. Porque, nos Estados Unidos, o câmera estudou para ser câmera, todo mundo tem uma carreira valorizada. Um editor pode ganhar US$ 200 por hora de trabalho. Não é a nossa realidade. Quando os mundos se encontraram dentro de mim, eu pensei: “Não sei se vou conseguir conviver com isso”.

A CONVERSÃO
Aí resolvi dar um tempo. Fui ser monitora voluntária numa escola, fui estudar num seminário, porque tinha acabado de me converter. Não gosto de falar que tenho alguma religião. Prefiro dizer que me converti àquilo que está escrito na Bíblia. Nesse meio tempo ganhei uma bolsa para estudar cinema e televisão na Virginia, nos Estados Unidos. Meu marido foi estudar business e eu fui pra lá de novo. E eu já sabia que era um tempo que eu estava dando antes de encarar o negócio.

DESAFIOS DO TRABALHO
Além de encarar a televisão, é encarar a empresa familiar, é encarar um mundo de emoção muito maior que uma simples escolha de profissão. Esse segundo período de estudos me deu um preparo ainda maior, porque foi mais focado. Foi nessa temporada que fiz um programa de TV para uma produtora independente, CBN, um programa de música cristã, que eu apresentava, e foi exibido em Moçambique. Chama-se One Cubed. Ninguém me conhecia, ninguém conhecia meu pai... A liberdade que tive de aprender foi maior. Fui testada de verdade. Isso me fez bem. Porque aqui, querendo ou não, eu tenho uma bagagem, carrego uma referência muito forte.

O PESO DA COMPARAÇÃO
As pessoas sempre vão me comparar com algo que é incomparável. Eu não queria ficar na sombra e acabar me comparando com o meu pai, com a forma de ele agir, pensar, criar, que é uma coisa única dele. Nas duas faculdades, tive a oportunidade de ver se gostava disso mesmo ou se estava sendo influenciada, se eu era boa ou não. Americano não tem disso. É preto no branco. Se você é boa, você é boa, se não, você não é boa, arruma outra carreira. Não ligam para quem seu pai é. E o jeito que os americanos fazem televisão... Eu acho incrível. Eles pegam a idéia de um inglês, dão um tapa no visual e transformam aquilo em algo incrível, bonito. Veja a Supernanny (seriado exibido no SBT). Nasceu na Inglaterra, mas os americanos o deixam mais bonito e agradável. No Pop Idol inglês, deram um tapa no visual e virou American Idol. Eu tenho respeito pela televisão americana.

VIDA DE ESTAGIÁRIA
Eu carregava fita pra cima e pra baixo no meu estágio nessa produtora (CBN), que faz um mesmo programa para o mundo todo. Ela pega os clipes musicais e grava cabeças em diferentes línguas. Eu estava num grupo de brasileiros, um dia, vestindo um cachecol colorido, e fui chamada para fazer um teste como apresentadora em língua portuguesa. Eu fiz. Não tenho muita vergonha. E o cara gostou. Eu avisei que se fosse passar no Brasil eu achava que não ia ter muito futuro, porque o chefe teria de deixar. Chamo o meu pai de chefe. É familiar demais chamá-lo de pai. Com o pessoal que eu trabalho eu falo “chefe”. Numa das minhas férias, trouxe umas fitas para o chefe ver. E ele gostou. Perguntei: “Você acha que devo continuar fazendo?”. E ele: “Acho que sim. É muito legal terem sido os americanos que te escolheram”. Mas, quando voltei a morar no Brasil, eu sabia que não iria continuar.

AUTOCRÍTICA
Hoje estou à frente de 200 pessoas na geradora, mais a rede (de emissoras afiliadas), que eu também cuido. No ano passado, a gente perdeu algumas afiliadas para outra emissora. A gente decidiu cuidar melhor... É muito uma questão de relacionamento. Casa de ferreiro, espeto de pau. A gente trabalha com comunicação e, às vezes, a gente falha na nossa comunicação. Foi um cabo-de-guerra, uma batalha. E dá um frio na barriga saber que você está perdendo, às vezes, por falta de comunicação... Quando você está satisfeito, você não vai buscar outra coisa. Ouvi isso a respeito da relação marido-mulher. Se o marido está satisfeito, não fica olhando para outra mulher. Mas, quando está insatisfeito, tudo pode acontecer. Se você está ocupando aquele espaço que tem de ocupar, é difícil ficar olhando ao redor. A gente falhou um pouco nesse nosso relacionamento.

SBT X RECORD
Prefiro falar do SBT. Acho que o SBT tem uma coisa muito especial. Querendo ou não, ele é popular. E tenho orgulho de falar que ele é popular. Enquanto tantos querem atingir o público A e o B, a nossa realidade é o C e o D. A gente é C e D naturalmente. Tem uma identificação natural com a massa. Isso vai passando de cima para baixo, e implanta no coração essa vontade de ser um canal popular. É óbvio que perder a segunda posição, para quem quer que seja, não é agradável. A gente, por muito tempo, correu sozinho no segundo lugar. Tinha orgulho, fazia até campanhas (“vice-liderança absoluta” “na nossa frente, só você”...). A gente brincava com isso. A gente nunca quis tirar o lugar da Globo.

REDE GLOBO
No ano passado, fiz um estudo da grade da Globo. Aprendi a ter um respeito e uma admiração muito particular. É tão bem programado com o hábito do brasileiro. É muito legal. Eles têm uma programação direcionada. A gente era a segunda opção. Quando você perde isso, você se pergunta: “Onde eu me perdi? O que aconteceu?”. Só quando você perde, você se depara com essa questão.

CHIQUE E BREGA
Não estou em busca da resposta a essa questão. O ponto é: voltar a ser o que uma vez foi a nossa identidade. O SBT tem a sua personalidade, tem uma marca... É voltar a isso, a focar naquilo que a gente foi feito para fazer. Não adianta querer ser chique, que a gente vai ser brega. É bom a gente continuar a fazer a nossa programação popular, falando do jeito que a gente sabe falar com o povo. Fazer aquilo que nasceu para fazer. Quando a gente se perdeu aí, num tempo, a gente deixou de ser quem era, de fazer aquilo que sabia fazer. Hoje, a gente está voltando, eu acho. É muito mais fácil bagunçar essa sala inteira do que a colocar no lugar. Vai levar um tempo até colocar a nossa casa em ordem.

O MEU PAPEL NA HISTÓRIA
O meu pai é único aqui. A questão é eu ajudar a motivar o pessoal a voltar para esse trilho. Cheguei quando a gente estava perdendo a batalha. É mais uma questão de colocar o ânimo de volta, motivar, sacudir a poeira, e voltar ao caminho que ele está direcionando a gente. De uns tempos para cá houve muita crítica. Quando ficamos um tempo sem falar (com a imprensa), acabou sendo ruim. Deixamos que os ruídos ficassem mais altos do que aquilo que estava realmente acontecendo. Esse é o meu papel.

EMPRESA FA MILIAR
O racional e o emocional se misturam o tempo inteiro numa empresa familiar. Não apenas nessa. Em qualquer uma. É preciso aprender a saber lidar com o papel de cada um. No meu caso: quando eu sou filha, quando eu sou funcionária? Saber que ele como chefe é diferente de como pai... Isso também é um desafio muito grande.

PAI E FILHA, DIFERENÇAS
Ele não tem medo; eu luto com o medo. Ele é um desbravador. Ele nem vê o desafio, ele vai. Eu, antes de enfrentar o desafio, penso: “Nossa, é um desafio”. Ele me empurra. E acho isso ótimo. Ele me joga e fala: “Se vira”. Porque, se não for assim, eu sambo, sapateio, até conseguir entrar no desafio. Tenho aprendido muito com ele. Tenho uma irmã, Rebeca, que puxou muito esse lado dele. Não importa o que as pessoas vão falar de você. Eu tiro o chapéu. Eu luto com medo, às vezes fico envergonhada, inadequada... Ele, como a minha irmã, não está nem aí. Entra numa reunião, já vai comendo um biscoito, a pessoa nem convidou... A Rebeca é igualzinha: cara-de-pau, não liga. Quando você vê, ela está indo ao supermercado de pantufas. É uma coisa muito espontânea.

Pai e filha, semelhanças
Em algumas coisas, sou parecida. Sou ansiosa, como ele. Quero ver acontecer... Sabe aquelas mudanças que ele faz? Se eu não tomar cuidado, vou acabar fazendo igualzinho. Critico, mas vou fazer igual. Eu aposto muito num programa X... Acho que não vou ter a paciência de esperar um ano para ver o programa X acontecer. Acho que no mês que vem vou chegar e querer mudar. Eu acho. É muito difícil confessar isso que estou dizendo. Porque tenho de falar para ele o contrário. Tenho de falar para mim também. Até fico com vergonha.

O JEITO SBT DE SER
Estou aqui, quero aprender tudo que tiver de aprender. Não vou dizer que eu sei tudo, porque não sei. Não vou dizer que estou preparada para estar onde estou, porque não estou. Quero me informar, conhecer mais a história e o futuro, quem está hoje na linha de frente da empresa e o que estão pensando. Pelo que o pessoal fala, ele sempre foi assim (ansioso). E isso sempre deu certo. A Record fez uma coisa muito parecida com a Globo e estabilizou ali. O SBT sempre foi desse jeito espontâneo. Fizemos uma pesquisa, perguntando: se a Globo fosse uma festa, que festa seria? E as pessoas responderam que seria uma festa glamourosa, chique, em que as pessoas ficam na porta, mas não podem entrar. Se a Record fosse uma festa, as pessoas responderam que seria uma festa muito chique, boa... E se SBT fosse uma festa, seria aquela que todo mundo gosta de ir, com cerveja no copo de plástico, coxinha, uma festa que a pessoa se sente em casa. É aí que está a nossa marca, que a gente perdeu. A gente errou a mão em algum lugar ou a Record acertou muito em outro. Não é uma coisa só. Isso faz com que a ansiedade seja maior. “Vamos colocar um Show do Milhão domingo que vem.” E vinha o domingo, e ficava, dava resultado instantâneo. Hoje não é assim.

PEN DRIVE
O mundo mudou, e a gente vai ter de mudar junto. Todo mundo tem acesso à informação. A gente fez uma pesquisa com a classe C e D. O melhor presente que você pode dar para eles, hoje, é um pen drive. O momento é agora. A gente vai ter de buscar muito mais multimídias do que temos buscado. Vamos diversificar mais as mídias, estamos melhorando o nosso site, queremos ter uma interatividade maior.

VENDA DO SBT
Falou-se muito. Era boato. Nunca foi nossa intenção vender. É a nossa menina dos olhos. Uma paixão. Poder se comunicar, entrar na casa das pessoas, estar junto com elas – deixar que o povo faça parte da nossa história, mas também fazer parte da história do povo. Precisamos resgatar mais essa identificação.

O PAPEL DA TV
Passar mensagem sem ser sensacionalista demais. Tem hora para tudo. Ter programas em que ocorre uma forte identificação, com boa qualidade e que possa ajudar no dia-a-dia das pessoas: esse é o melhor dos mundos, entretenimento com cultura, sem ser chato. Porque o nosso povo é influenciado pela televisão.

A VOLTA DO PANTANAL
Foi uma idéia conjunta, de muito tempo. É uma novela incrível. Como foi bem feita... Vale a pena ver de novo. As novelas da Globo a gente vê de novo. Por que não reexibir uma obra da Manchete?

NA FRENTE DA TV
Amo a Luciana Gimenez. Eu me divirto muito com o jeito dela. Também gosto do CQC – no início fiquei de birra, porque achei que seria uma cópia do Pânico... Gosto do Pânico, gosto de novela... Não tenho tanta paciência, mas gosto... Prefiro série. Desperate Housewives, Lost (embora a última temporada tenha me irritado), 24 Horas... Sex and the City eu não gosto. Acho que é muito sexo e pouca cidade... Nada contra, mas tem uma hora que cansa. Grey’s Anatomy eu também gosto.

LEITURA
Leio pouco. Estou lendo um livro sobre a história dos quatro irmãos Warner. Mas não leio na seqüência. Amanhã tenho vontade de ler outra coisa, paro esse e começo o outro...

ROTINA
Este ano eu fiz um curso de gestão de empresa familiar e vi que estava no mesmo saco que todo mundo que tem empresa familiar. Foi uma terapia em grupo para mim. “Você leva os problemas pra casa?”, “Você recebeu um monte de ‘nãos’ do seu pai?”. Os argumentos dos pais com os filhos são idênticos. Isso me consolou. Daí comecei a me divertir. O primeiro semestre passei muito bem. Tem tempo para tudo. Durante a semana, saio pouco, volto para casa do trabalho, como alguma coisa, vejo televisão, acabou. Nos fins de semana, saio para jantar com casais de amigos, com meu cunhado e a esposa dele, com as minhas irmãs, quando estão aqui.

VIAGEM
Gosto médio de viajar. Amei a África do Sul e Fernando de Noronha. Acho que Fernando de Noronha é o lugar mais bonito que já fui na minha vida. Amo Orlando. A Flórida, para mim, é os Estados Unidos abrasileirados.

AS IRMÃS
Duas outras trabalham aqui. Renata, a mais nova, está fazendo um treinamento na área comercial e depois vai para a área administrativa, e a Silvia, do primeiro casamento do meu pai, está no Programa Silvio Santos. Patricia trabalhou no banco por muito tempo, depois no hotel. Agora, está estudando fora, deve ficar mais um ou dois anos. E Rebeca está estudando cinema e televisão no exterior.

GESTÃO
Sou muito mais de desenvolvimento e estratégia do que operacional. Sei onde quero chegar, sei falar para todo mundo onde a gente quer chegar. Onde a gente quer chegar? Recuperar a identidade do SBT e conseguir fazer com que seja um canal de entretenimento, com muita qualidade, com conteúdo de verdade e que volte a ser uma referência, que a marca volte a ser valorizada. Temos de reposicionar o SBT.

SUCESSÃO
Não consigo pensar nessa idéia. Consigo pensar que vou cuidar para que isso dure bastante tempo, se perpetue. Se Deus quiser, a gente vai conseguir manter aquilo que o meu pai começou para que não dure apenas por duas gerações, mas por muito tempo.

TAL PAI, TAL FILHA
Daniela Beyruti é o sangue novo do SBT. E bota sangue novo nisso. Ela ama televisão desde criança. Mas nunca quis ser somente a filha de Silvio Santos, essa coisa de herdeira nata, sem conquista, nem investimento. Tem uma admiração explícita pelo pai, que agora também chama de chefe.
Daniela é uma mulher diferente, de personalidade forte, cheia de foco, jeito de quem sabe o que quer e a certeza de que vai, sim, chegar lá, talvez mais rápido do que ela própria imagina. Mas sabe também que tem ainda muitos desafios pela frente e muito o que aprender.
Está, por enquanto, transitando, mergulhando nos bastidores dos bastidores de uma empresa familiar, quer conhecer de tudo um pouco – a cabeça não pára. Tem planos, muitos. Diz o que pensa, é espontânea, sabe se colocar, articula bem, sente um orgulho incrível da emissora, de tudo o que o pai construiu ao longo dos últimos 50 anos, do complexo na Anhanguera, onde estão os estúdios e os cenários dos programas. “Aqui não é lindo?”
Os seus olhos, redondos e castanho-escuros, têm a mesma expressão dos de Silvio. São instigantes, firmes, diretos. Olhos que prendem a gente quando ela fala e defende, com veemência, seus pontos de vista.
É articulada. Dá vontade de ficar ali ouvindo, perguntando um monte de coisas, querendo entender mais como anda a sua vida, a sua cabeça e até mesmo o coração, que ela define como humanista.
Dani – como é chamada pelos amigos – leva uma vida simples. Passa o dia inteiro na emissora e uma vez por semana tem almoços de negócio com profissionais da área. “Quero entender cada vez mais como funciona tudo isso.” Ela e o marido, Marcelo Beyruti, são um casal tranqüilo – estão juntos há quatro anos –, de bem com a vida. Não fala muito em religião, mas é evangélica, como suas irmãs, e costumava reunir jovens em sua casa para estudos da Bíblia. Hoje o grupo se dispersou, mas se fala por e-mail.
Não anda em carro do ano, é despojada para se vestir e impressionantemente simples. Quando voltou dos Estados Unidos, onde morou e estudou, quis se repaginar – sentia-se, digamos assim, meio conservadora. Contratou uma personal stylist. Hoje adora usar roupas estampadas, floridas, despretenciosas.
Embora tenha muito carisma e seja uma comunicóloga nata, Daniela costuma passar longe dos holofotes. Chega meio ansiosa para a sua primeira grande entrevista. Pensa em desistir. Mas fala com a mãe, Íris, respira fundo e acaba aceitando o desafio. Sorte nossa. Sorte de Silvio Santos. E sorte do SBT: a emissora está em boas mãos.

Fonte: Revista Poder

Quem é Jesus?

"Jesus" é um dos nomes mais conhecidos em todo o mundo e provavelmente você já deve ter ouvido falar alguma coisa relacionada com esse nome. Mas será que você realmente conhece Jesus?

Imagine que você está andando na rua e de repente é abordado por um repórter que pergunta se você conhece um determinado artista famoso ou uma figura bastante conhecida no cenário nacional. Em seguida, ele começa a te perguntar o que você sabe sobre essa pessoa e, provavelmente você saberia responder algumas coisas como, os principais trabalhos em que ele esteve envolvido, talvez algumas informações de sua vida pessoal como, a sua idade, se é casado ou não, se possui filhos, se esteve envolvido em algum escandâlo, entre outros. Por se tratar de alguém famoso, ou seja, bastante conhecido, você provavelmente saberia passar algumas informações sobre essa pessoa correto? Coisas que você já ouviu falar ou leu em algum lugar. Mas, e se esse mesmo repórter te perguntasse como esse artista é como pessoa, você saberia responder? Se você refletir sobre essa questão, com certeza concluirá que, a única pessoa que poderia responder a essa pergunta com propriedade é alguém que realmente conhece a pessoa à quem estamos nos referindo. Bem, a mesma coisa acontece quando falamos de Jesus. Muitas vezes "achamos" que conhecemos Jesus por termos ouvido falar ou lido em algum lugar coisas a respeito dele, mas será que realmente o conhecemos? Para sabermos quem é a pessoa de Jesus é preciso antes de tudo conhecê-lo e isso implica em termos uma vida em que ele faz parte.

Alguns fatos sobre Jesus são bastante conhecidos pela maioria e comprovados na Bíblia, que é a Palavra de Deus. Jesus é o filho unigênito de Deus, enviado por Ele, para que todo aquele que nele crer não pereça mas tenha a vida eterna (João 3:16). Enquanto esteve aqui na Terra Jesus ensinou (Marcos 6:34), realizou milagres (João 2:1-11), curou enfermos (Lucas 8:40-56), libertou endemonhiados (Lucas 9:42), e mostrou muitas outras evidências de sua autoridade e poder. O fato é que todos pecaram (Romanos 3:23) e Jesus veio para restaurar o reino de Deus (Romanos 5:19), através da obediência ao Pai, morrendo na cruz por nossos pecados (Isaías 53:5). Jesus morreu para nos dar vida! Porém, não devemos lembrar de um Jesus morto, se não, ele não seria diferente de tantos mártires que conhecemos. Jesus veio ao mundo, viveu (Lucas 2:52), morreu (Lucas 23:44-47), mas ressucitou (Atos 1:3)! Sim, hoje ele vive, e é capaz de perdoar pecados (Marcos 2:10), dar descanso à todos aqueles que estão cansados e oprimidos (Mateus 11:28) e fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, de acordo com o seu poder que atua em nós (Efésios 3:20).

Talvez você já soubesse anteriormente de algumas coisas sobre Jesus e esse texto o ajudou a saber um pouco mais sobre ele. Mas se você quer realmente saber quem é a pessoa de Jesus e experimentar viver algo diferente, esse é o momento de conhececer Jesus e convidá-lo para fazer parte da sua vida!

Texto por Denise Cortázio

Um papo sobre vestes, vaidade e hipocrisia

por René Vasconcelos

Se há um assunto dentro da igreja, e não importa a denominação, que dá pano para manga é sobre como se vestir e a vaidade. Eu vim de uma igreja Assembléia de Deus tradicional do interior do Rio; lá mulheres somente podiam usar saias e homens, calça comprida. Essa tradição, essa religiosidade, foi o primeiro fator que dispertou meu lado crítico quanto a igreja; onde está na Bíblia tal ordem? Será que é nisso que devemos ser diferenciados do mundo?

Além da falta de alicerce bíblico, essa doutrina religiosa nos traz um enorme malefício: a hipocrisia. Quantas vezes você não viu uma pessoa, tradicionalmente “vestida de crente” agir de maneira condenável e injusta e depois vir se vangloriar por sua santidade estampada em seu modo de vestir? Por se diferenciar do mundo por causa do seu saião e do seu cabelão comprido, logo após de ter criado uma fofoca? Isso é, infelizmente, ainda extremamente comum nas igrejas. Se você frequenta uma igreja moderna, mais entendida e liberal quanto a esse assunto, agradeça a Deus; a grande maioria das igrejas pentecostais no Brasil ainda são extremamente rígidas com esse assunto.

E não só em relação às vestes a religiosidade é implacável; ela ataca também a vaidade em geral. Se a moça passa um batonzinho já é filha de Jezabel! Se o homem faz a sobrancelha é sodomita! E são todos sem espiritualidade nenhuma! Tá amarrado!

Como já falei, essa religiosidade gera hipocrisia, muita hipocrisia. São moças evangélicas se vestindo como biscates escondidas dos pais, simplesmente porque não receberam a devida educação (eu falo educação, não imposição de religião), são líderes evangélicos pregando contra a vaidade enquanto usam ternos caríssimos. Um exemplo claro disso está na pessoa do pregador itinerante Marco Feliciano. Veja o vídeo abaixo, com especial atenção a partir do 2o minuto:

Agora vejam a transformação pela qual ele passou em 2007.

AntesDepoisCategoricamente podemos dizer que não é errado você buscar melhorar a sua aparência; o grande problema é a hipocrisia. Primeiro ele diz que é pecado ser vaidoso e que isso tira a espiritualidade dos jovens. Meses depois aparece totalmente transformado, com lentes claras e cabelo alisado; onde está a coerência da pregação? Essa é a grande hipocrisia; você acaba pregando uma coisa e vivendo outra. Vamos ver o que a Bíblia nos fala sobre vestes e vaidade:

Quero, portanto, que os varões orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira e sem animosidade.
Da mesma sorte, que as mulheres, em traje decente, se ataviem com modéstia e bom senso, não com cabeleira frisada e com ouro, ou pérolas, ou vestuário dispendioso,
porém com boas obras (como é próprio às mulheres que professam ser piedosas).
I Tm 2:8-10

Essa passagem fala sobre como o cristão deve se comportar, de maneira geral. Primeiro nos diz que os homens devem ser justos e mansos. E depois mostram como as mulheres devem se diferenciar: pelas suas atitudes, pelas boas obras, e não pelas suas roupas. Paulo fala isso porque, na época, o penteado feminino as diferenciava entre as classes sociais; um penteado frisado era sinal de status. E para que não ouvesse essa diferenciação de classes dentro da igreja, Paulo pede que as mulheres se vistam decentemente e sem muito luxo, para que aquelas que não têm condições de comprar roupas caras não se sintam envergonhadas dentro da igreja. Obviamente isso vale para os homens também. Usar ternos muito caros dentro da igreja talvez deixe seu irmão, que não tem tanta condição, envergonhado ou simplesmente triste por sua condição. Portanto, segundo a Bíblia:

- Devemos nos vestir de maneira decente; decotes, calças muito justas, barriguinha de fora, saias curtas e aquele biquinho ou sunguinha (putz, fala sério!) que arrasa na praia devem ser evitados. Prefiram algo mais comportado. Vale também em relação a maquiagem; cores muito berrantes e fortes não deixam uma aparência decente. Prefira cores leves.

- Sabe aquele vestido e aquele colar carésimos que você ia usar para a festa da igreja? Ou aquele terno super caro que você comprou para pregar? Prefira algo mais simples; não feio, apenas simples. Porque pode ter um irmão ou irmã do seu lado que esteja passando por dificuldades e que pode se sentir frustrado. É nosso DEVER como cristãos evitar esse tipo de sentimento na pessoa ao lado.

- Você deve se diferenciar do mundo pelos seus atos, não simplesmente por suas vestes! Deixe que as pessoas te reconheça como cristão não por suas roupas mas pelo seu testemunho de vida!

Por isso, conheça a Bíblia, conheça os fundamentos de cada doutrina para você saiba exatamente no que crê. Deus não olha para roupas, mas para um coração fiel e contrito a Ele. Pense nisso antes de condenar alguém.

Ps. Eu lembro que estou proibido de falar no pr. Marco Feliciano. Só utilizei seu nome como exemplo ao argumento do texto na questão da hipocrisia, não como crítica direta.

Monday, July 21, 2008

Uma Mobilização Histórica das Igrejas do Brasil


Um projeto das igrejas evangélicas do Brasil em parceria com a Associação
Evangelística Billy Graham



As igrejas evangélicas do Brasil, em parceria com a Associação Evangelística Billy Graham
(AEBG), agora contam com mais de mil coordenadores e colaboradores vindos de diferentes
regiões do Brasil, todos trabalhando para promover o projeto “Minha Esperança Brasil”.
Estes foram somados somente há alguns meses após 300 líderes evangélicos anunciarem o
seu apoio, bem como sua intenção de participar do projeto neste ano de 2008.

“Minha Esperança” é um projeto evangelístico que permite a cada crente no Brasil alcançar
os seus amigos, parentes e vizinhos com o evangelho transformador de Jesus Cristo, por três
noites de transmissões televisivas, em horário nobre e em rede nacional, agendado para
novembro de 2008. Os programas incluem testemunhos comoventes, clipes de música cristã
brasileira, e duas mensagens de forte apelo evangelístico, na primeira noite por Billy Graham,
e na segunda, pelo seu filho Franklin Graham. Na terceira noite será exibido um filme
evangelístico de 90 minutos produzido pela AEBG.

A chave do sucesso deste projeto consiste nos membros de milhares de igrejas convidando
seus amigos, parentes e vizinhos a virem às suas casas e assistirem à transmissão destes
programas, ao longo destas três noites. Após a apresentação clara do evangelho através da
transmissão destes programas, os anfitriões convidam os não salvos a receberem Jesus Cristo
como Salvador e Senhor. Esta estratégia chama-se “Mateus e seus Amigos”, baseada na
história no Novo Testamento do discípulo Mateus, que deu um banquete aos seus amigos
depois de conhecer a Cristo.

Desde a sua criação em 2002, o projeto minha esperança foi desenvolvido em 40 países no
mundo e obteve o resultado de nove milhões de pessoas se comprometendo com Jesus
Cristo. “Deus tem verdadeiramente abençoado este projeto e usado de maneira poderosa,”
mencionou Bill Conrad, vice-presidente do ministério internacional da AEBG. “Estamos
muito animados para ver o desenrolar deste projeto neste ano de 2008 no Brasil.”

Em preparação para este evento histórico, durante os meses de março, abril e maio mais de
mil coordenadores e colaboradores vindos de quase todas as denominações no Brasil, se
espalharão em todo o país para compartilhar a visão do projeto com os pastores, e para
explicar a cada igreja como participar.

Para receber mais informações sobre Minha Esperança, ligue ou escreva para o escritório
nacional:

Minha Esperança - Brasil
Av. Adolfo Pinheiro, 2360 – Santo Amaro
CEP 04734-004 – São Paulo – SP
Telefone: 11 3429 5100 Fax: 11 3429 5103
www.minhaesperanca.com.br
midia@minhaesperanca.com.br

Thursday, July 10, 2008

CONTRA A LEI DA HOMOFOBIA

Quanto à chamada LEI DA HOMOFOBIA, que parte do princípio que toda manifestação contrária ao homossexualismo é homofóbica, e que caracteriza como crime todas essas manifestações, a Igreja Presbiteriana de Pendências repudia a caracterização da expressão do ensino bíblico sobre o homossexualismo como sendo homofobia, ao mesmo tempo em que repudia qualquer forma de violência contra o ser humano criado à imagem de Deus, o que inclui homossexuais e quaisquer outros cidadãos.


Visto que: (1) a promulgação da nossa Carta Magna em 1988 já previa direitos e garantias individuais para todos os cidadãos brasileiros; (2) as medidas legais que surgiram visando beneficiar homossexuais, como o reconhecimento da sua união estável, a adoção por homossexuais, o direito patrimonial e a previsão de benefícios por parte do INSS foram tomadas buscando resolver casos concretos sem, contudo, observar o interesse público, o bem comum e a legislação pátria vigente; (3) a liberdade religiosa assegura a todo cidadão brasileiro a exposição de sua fé sem a interferência do Estado, sendo a este vedada a interferência nas formas de culto, na subvenção de quaisquer cultos e ainda na própria opção pela inexistência de fé e culto; (4) a liberdade de expressão, como direito individual e coletivo, corrobora com a mãe das liberdades, a liberdade de consciência, mantendo o Estado eqüidistante das manifestações cúlticas em todas as culturas e expressões religiosas do nosso País; (5) as Escrituras Sagradas, sobre as quais a Igreja Presbiteriana de Pendências firma suas crenças e práticas, ensinam que Deus criou a humanidade com uma diferenciação sexual (homem e mulher) e com propósitos heterossexuais específicos que envolvem o casamento, a unidade sexual e a procriação; e que Jesus Cristo ratificou esse entendimento ao dizer, “. . . desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher” (Marcos 10.6); e que os apóstolos de Cristo entendiam que a prática homossexual era pecaminosa e contrária aos planos originais de Deus (Romanos 1.24-27; 1Coríntios 6:9-11).


A Igreja Presbiteriana de Pendências MANIFESTA-SE contra a aprovação da chamada lei da homofobia, por entender que ensinar e pregar contra a prática do homossexualismo não é homofobia, por entender que uma lei dessa natureza maximiza direitos a um determinado grupo de cidadãos, ao mesmo tempo em que minimiza, atrofia e falece direitos e princípios já determinados principalmente pela Carta Magna e pela Declaração Universal de Direitos Humanos; e por entender que tal lei interfere diretamente na liberdade e na missão das igrejas de todas orientações de falarem, pregarem e ensinarem sobre a conduta e o comportamento ético de todos, inclusive dos homossexuais.

Portanto, a Igreja Presbiteriana de Pendências reafirma seu direito de expressar-se, em público e em privado, sobre todo e qualquer comportamento humano, no cumprimento de sua missão de anunciar o Evangelho, conclamando a todos ao arrependimento e à fé em Jesus Cristo.

IPI DO BRASIL - NOSSA HISTÓRIA

Monday, March 10, 2008

VISÃO: Formar discípulos de Cristo que glorifiquem a Deus através de uma entrega total de suas vidas, demonstrando esta entrega por meio do testemunho da fé, do louvor constante a Deus, da vida em comunhão e do desejo de servir ao próximo.

Propósito: Viver de modo que Deus seja glorificado em tudo o que somos e realizamos.

Objetivo primário: Estabelecer um grupo de cristãos presbiterianos que nas congregações ou onde estiverem louvem ao nome do Senhor, estejam aptos e dispostos a testemunhar da sua fé, contribuam para a edificação da igreja, sendo também edificados, vivam em comunhão e sirvam ao ser humano.

Objetivos secundários:
Ensinar a importância do culto público;
Organizar o culto de modo que ele se torne atrativo;
Enfatizar a importância do testemunho cristão;
Estabelecer programas diversificados de discipulado e ensino bíblico;
Oferecer programas de convivência para fortalecer a comunhão da igreja;
Enfatizar o serviço integral ao ser humano como parte essencial do ministério de Jesus.

Alvo: Edificar os que atualmente compõem o Corpo de Cristo, a partir da nossa visão, para que conduzam pessoas a Cristo e edificando-as, ensinando-as e treinando-as, possam ser enviadas e conduzir outras.

Declaração de missão:
Glorificar a Deus através do louvor, do testemunho da nossa fé, da edificação, da comunhão e do serviço ao ser humano.
Explicitando a missão - Como reza o Catecismo Menor e a Confissão de Fé de Westminster, Adorar a Deus e glorificá-lo é a causa de termos sido criados. A Igreja do Senhor como embaixadora de Cristo, tem o dever de manifestar a glória de Deus e de conduzir outros a glorificarem seu nome. Temos portanto, cinco pontos a serem explorados:

GLORIFICAR A DEUS ATRAVÉS DO LOUVOR - O cristão é alguém que é chamado para louvar ao Senhor, comunitariamente ou pessoalmente. Os cânticos de louvor são como carruagens que nos conduzem à presença de Deus, quando reunidos em seu nome celebramos com todos os instrumentos que temos: salmos, hinos e cânticos. Porém, além de musicado, o louvor é a expressão de confiança e adoração que manifestamos em todo lugar.
GLORIFICAR A DEUS ATRAVÉS DO TESTEMUNHO DA NOSSA FÉ - A fé que uma vez foi entregue aos santos é um presente de Deus para ser compartilhado. Aquilo que Deus operou em nossas vidas deve ser ministrado aos demais seres humanos para que Deus os abençoe; o testemunho é algo que nos aproxima da experiência do pai Abraão, tornando-nos abençoados e abençoadores.
GLORIFICAR A DEUS ATRAVÉS DA EDIFICAÇÃO - A IGREJA do Deus vivo é edificada de duas maneiras: Edificada por meio do desenvolvimento espiritual dos seus membros, aprendendo a Palavra de Deus, orando, buscando os dons espirituais. Mas a igreja também é edificada por meio do seu crescimento quantitativo onde, como na igreja primitiva, dia a dia o Senhor acrescenta os que haveriam de ser salvos.
GLORIFICAR A DEUS ATRAVÉS DA COMUNHÃO - Igreja é ECLÉSIA, é reunião do povo e assembléia dos santos. Somos comunidade para exortar uns aos outros, consolar, edificar e cuidar. A nossa comunhão acontece de varias formas, desde a criação de um ambiente descontraído, familiar e do ágape que promova o relacionamento, até a dimensão cúltica, quando reunidos, glorificamos a Deus.
GLORIFICAR A DEUS ATRAVÉS DO SERVIÇO AO SER HUMANO - A igreja é instrumento de Deus para o serviço, devendo, portanto desempenhar seu aspecto diaconal. O serviço não é restrito, pois abrange o ser humano de forma completa, alcançando sua vida física, emocional e espiritual.


VER PROJETO NA ÍNTEGRA

Saturday, March 01, 2008

Pastor Miojo

Durante este fim de semana que se passou acompanhei na televisão algo que não vejo costumeiramente: uma pregação do Pr. Silas Malafaia. Não vou discutir agora a idoneidade do mesmo, afinal este artigo não é sobre ele, mas sim sobre o que veio após o término de seu programa.

Uma propaganda me chamou a atenção e me escandalizou ao mesmo tempo: curso de pastor em apenas 3 meses e bacharel em teologia em 6 meses… Na hora o Espírito Santo me tocou e me disse para acompanhar até o final a fim de alertar os demais irmãos a respeito desse charlatanismo incrível que me foi apresentado. Veja abaixo o vídeo de divulgação do curso:

Agora vamos parar e pensar um pouco: os seminários realmente sérios gastam tempo preparando os alunos para assumirem uma função que exige conhecimento bíblico pesado, noções - nem que sejam mínimas - de administraçã eclesiástica, de aconselhamento bíblico e de outras tantas coisas que fazem um pastor ser o que é. E estudar exige esforço, afinal a própria Bílbia diz que “o reino de Deus é construído pelo esforço” (Mt. 11:12). E o Senhor diz ainda mais diz que o seu “povo perece porque lhe falta o conhecimento” (Os. 6:3).

Só que muitos hoje têm procurado o caminho da facilidade. Em um mundo onde todos têm pressa, é muito melhor adquirir um conhecimento superficial e “chutar” as respostas quando lhe perguntarem algo mais difícil. E a pior parte: esses ainda vão se auto-intitular “ungidos do Senhor”.

Foi realmente muito chato tentar argumentar com uma pessoa que fez esse curso. Ao ser confrontado sobre a idoneidade do curso de pastor ele apenas respondeu: “Tome cuidado com o que diz. Agora eu sou um ungido de Deus e você não pode falar mal de mim!”

Me desculpem, amados irmãos, mas o PASTORADO NÃO É ESCUDO! Pra mim este curso continua sendo um tremendo charlatanismo gospel, feito por verdadeiros batedores de carteira da fé.

Só lamento por esta geração que será obrigada a suportar “pastores” com o famoso conhecimento miojo - aquele adquirido em 3 minutos e muitos pensam que vão sustentá-los na caminhada.

Pr. Carlos Lacerda

Friday, December 21, 2007

Bem e mal


Ricardo Gondim

Naran, meu neto, gosta de classificar os personagens de seu mundo infantil em rígidas categorias. Vez por outra, ele me pergunta: “Vovô, o Homem Aranha é do bem ou do mal?”. Claro, procuro antecipar-me às suas expectativas e digo que o seu herói é do bem. Certo dia, vi-me num beco sem saída. Sério como um professor na hora da sabatina, ele me questionou: “Vô, Davi era do bem ou do mal?”. Eu respondi sem titubear: “Do bem”. “E Golias?”. Não hesitei: “Do mal”. Com essas duas respostas para trabalhar em sua cabecinha, ele recontou o que aprendera sobre o célebre embate entre o rei e o gigante, e emendou: “Mas, vô, Davi cortou a cabeça de Golias depois que o derrubou com uma pedra, não foi? Naquela hora ele não virou num homem do mal?”. Só consegui responder: “Eu nunca tinha pensado assim, mas acho que você tem razão”.

Nossa disposição para separar as pessoas em arraiais distintos, além de ingênua, não subsiste aos questionamentos de uma criança. Os seres humanos são infinitamente mais complexos que nossas pobres categorizações. Recentemente, vi o filme sobre a vida da cantora francesa Edith Piaf. Sua história mexeu com as minhas emoções, saí do cinema com o coração comovido. Sua infância, suas constantes perdas, sua adolescência nas sarjetas a tornaram uma mulher tempestiva, que bebia demais e parecia desequilibrada. Mas ela não podia ser rotulada com gradações que vão de boa a perversa.

Os personagens bíblicos são inconstantes em suas virtudes e os vilões não encarnam o mal absoluto. O único personagem bíblico absolutamente mal é Satanás. Todos os demais agem com vileza e bondade; são execrados e aplaudidos. Abraão creu, hesitou, mentiu. Moisés ousou, titubeou, perseverou. Davi amou, assassinou, arrependeu-se. A seqüência de exemplos lota o texto sagrado. Todos os heróis são cavalheiros e nobres, réprobos recomendáveis.

Jesus lidou com a alma humana como um vasto universo. Ele era extremamente cuidadoso e jamais subestimava a subjetividade de cada pessoa. Não deixou que apedrejassem a mulher apanhada em adultério. Considerava injusto que aqueles religiosos não levassem em conta o passado, os traumas, as feridas anteriores de tal muher. Não, ele não permitiria que a história dela fosse jogada na sarjeta só para que a lei fosse mantida. Quando li a biografia do Garrincha, talvez o maior ponta-direita do futebol brasileiro de todos os tempos, não consegui depreciá-lo como um devasso, mas como um desafortunado, um alcoólico carente de misericórdia. Chorei por sua sorte.

Li uma frase no blog do Allyson Amorin (http://alyssonamorim.blogspot.com/) que apreciei bastante: “Por trás de uma grande queda há sempre uma curva acentuada”. Quanta verdade! Devemos olhar não apenas para as quedas, mas considerar também as curvas acentuadas.

A monumental obra de Victor Hugo Os Miseráveis expôs Javert como um homem detestável, porque não conseguia conceber que um condenado pudesse ter alguma nobreza no coração. Uma vez condenado, para sempre perdido. Os maus mereciam, segundo sua percepção, os rigores da lei.

Jean Valjean, criminoso execrado por um homicídio, foi tenazmente perseguido por Javert, que só se preocupava em mostrar sua coerência com a lei. Durante toda a narrativa, Victor Hugo revela outro lado: o fugitivo era correto, bondoso, nobre, enquanto o legalista, um detestável vingativo. O caráter impoluto do policial camuflava um homem inclemente. A lei e o aparato policial escondiam a pequenez de Javert.

Preocupo-me com os religiosos que identificam facilmente quem vai para o inferno. Regras, conceitos teológicos e catecismos não conseguiriam por si só peneirar os bons dos ruins. Joio e trigo se parecem e é necessário esperar pelo fim dos tempos.

Só Deus conhece os porões de cada vida. Só ele sabe as guinadas que a existência de cada um sofreu, e só ele tem critérios suficientes para lidar com as histórias humanas. E a melhor notícia é que Deus não nos trata segundo uma lei fria. Ele é um pai tão compassivo e bom que no Salmo 103 considera nossa fragilidade como pó e, por isso, afasta de nós as nossas transgressões.

Quando penso em certo e errado, ordem e desordem, ligado e desligado, me esqueço da graça e dessa infinita capacidade divina de nos entender sem explicação. Sem a graça, resta o pavor da lei, que não considera as inadequações humanas, com agravantes e atenuantes. Sim, o justo juiz é um pai que me pôs em seu regaço, sem precisar esclarecer o porquê do seu amor.

Todos nós já nos comportamos como Davi. Em algumas circunstâncias o rei “virou do mal”, mas encontrou a infinita disposição de Deus para tratar-lhe com misericórdia. Essa disposição é a causa pela qual nós também não fomos destruídos.

Soli Deo Gloria.


• Ricardo Gondim é pastor da Assembléia de Deus Betesda no Brasil e mora em São Paulo. É autor de, entre outros, O Que os Evangélicos (Não) Falam e Eu Creio, mas Tenho Dúvidas — a graça de Deus e nossas frágeis certezas. www.ricardogondim.com.br

Possibilidades perdidas pós-Conferência do Nordeste

Orivaldo Pimentel Lopes Júnior

Qual tem sido o papel das igrejas evangélicas na sociedade e na cultura nacional? Apesar de estarmos aqui há 160 anos, termos uma presença numérica considerável, com evangélicos ocupando cargos importantes na política brasileira, continuamos sendo um grupo sectarizado e exótico. Existem causas internas e externas para isso, e a Conferência do Nordeste é uma denúncia de todas elas.

Vivíamos no início dos anos 60 um clima de deslumbramento democrático. Depois de várias décadas de autoritarismo, o Brasil começara com Juscelino Kubitschek a respirar democracia, e isso fez com que o pensamento se abrisse para muitas possibilidades de existência até então inimagináveis. A primeira idéia que ocorreu para grande parcela da população foi: acabar com a situação de miséria no Brasil. Tal transformação, democraticamente provocada pela sociedade, era vista como uma revolução. Essa palavra, no entanto, enchia de pavor as camadas conservadoras da sociedade, que logo acionaram seu poderio militar para apagar qualquer possibilidade de mudança. Com isso, as primeiras lições de democracia sóciopolítica do Brasil foram interrompidas violentamente.

Os brasileiros tiveram que fazer um longo percurso histórico para retornar ao ponto em que estavam no começo dos anos 60. Nesse percurso, dada a violência do incidente da ditadura, algumas coisas ficaram para sempre perdidas, e outras terão que ser reinventadas. Um atraso de 30 anos na história de um povo não é algo que se consiga aquilatar.

No campo religioso, a Igreja Católica Romana estava animada com os avanços do Vaticano II e com o peso de sua estrutura bem estabelecida no Brasil e no Ocidente. Soube atravessar os anos de chumbo, tornando-se uma das únicas brechas de respiração tranformadora no Brasil. As igrejas evangélicas, porém, no que tange à sua missão na sociedade, foram praticamente devastadas.

A Conferência do Nordeste foi a expressão máxima da potencialidade dos evangélicos no Brasil de então. Os palestrantes convidados, grandes expressões da intelectualidade da época, não atuavam na esfera religiosa, mas nem por isso foram impedidos de trazer suas contribuições para o encontro. Não havia a idéia que posteriormente se tornou comum, que um cientista confiável é um cientista confessional, posição, aliás, extrapolada para todas as esferas sociais: político bom é político irmão; psicólogo bom é psicólogo cristã e assim por diante. Só escapavam desse crivo sectarista os profissionais da medicina e da engenharia, porque ninguém é de ferro.

O mais surpreendente, no entanto, não é ter pensadores não evangélicos falando num encontro evangélico, mas tê-los em pé de igualdade com teólogos, sem que estes em nada deixassem a dever àqueles. Imaginemos se tal postura tivesse persistido em nosso meio depois de 1962! Que avanços teríamos em nosso pensamento e produção, que impacto poderíamos ter causado na sociedade, que presença diferenciada teríamos nos meios de comunicação social, que espaços ocuparíamos na academia…

Destaco o aspecto cultural. Na época, dada a preponderância da leitura marxista da realidade social, a cultura era tida como subproduto da estrutura econômica. Tanto é que os grupos de estudo da Conferência se dividiam em “Fronteira Econômica” e “Fronteira Cultural”, apresentados nessa ordem no segundo volume dos anais da Conferência.

A comissão organizadora muito acertadamente escolheu para falar sobre o aspecto cultural o grande sociólogo Gilberto Freire. Sua conferência foi sucinta, mas muito polêmica. Talvez tenha sido a que mais provocou discussões, conforme as crônicas da Conferência escritas pelo pastor Almir dos Santos, presidente do Setor de Responsabilidade Social da Confederação Evangélica Brasileira, no volume 1 dos anais.

Gilberto Freire apontou em seu discurso a ausência dos evangélicos na produção cultural brasileira, e isso irritou muito os participantes. Vejamos suas palavras:

“A despeito do crescente número de cristãos evangélicos em nosso país, ainda não apareceu o brasileiro de gênio, que nascido evangélico, criado em meio evangélico, identificado com a interpretação evangélica da vida e da cultura brasileira, se afirmasse no Brasil grande poeta ou grande escritor em língua portuguesa, ou compusesse música brasileira, marcada por esta interpretação ou por esta inspiração, ou o arquiteto também de gênio que desenvolvesse para as igrejas evangélicas do trópico, um tipo de arquitetura que não fosse nem a imitação do tipo católico, nem reprodução do protestante anglo-saxônico ou germânico.”

Depois de fazer essa constatação, Freire acrescenta:

É curioso que até agora o cristianismo evangélico só tenha concorrido salientemente para enriquecer a cultura brasileira com insignes gramáticos: Otoniel Motta, Eduardo Carlos Pereira, Jerônimo Gueiros. É tempo de o cristianismo brasileiro evangélico ir além e concorrer para esse enriquecimento com um escritor do porte e da flama revolucionária, eu diria, de Euclides da Cunha; com um poeta da grandeza de Manoel Bandeira; com um compositor que seja outro Villa-Lôbos, que componha baquianas brasileiras que sejam interpretação ao mesmo tempo evangélica e brasileira de Bach. Também um caricaturista ou um teatrólogo revolucionariamente evangélico que pela caricatura ou pelo teatro denuncie abusos de ricos que para conservarem um privilégio de classe pretendam se fazer passar por defensores ou conservadores de tradições religiosas ou mesmo do que se intitula às vezes, pomposa e hipocritamente, civilização cristã”. (Cristo e o Processo Revolucionário Brasileiro, vol. 2, p. 62s)

Nesses 45 anos que nos separam da Conferência do Nordeste, essa constatação de Gilberto Freire tem ecoado em nossas mentes e corações. De lá para cá, alguns escritores, caricaturistas e teatrólogos evangélicos têm aparecido. Alguns estavam ali presentes na Conferência do Recife, ouvindo o desafio de Gilberto Freire, como o escritor Rubem Alves e o cartunista Claudius Ceccon. Mas foram poucos os que surgiram desde então, em grande parte por conta da intolerância que se seguiu ao Golpe de 64. Nós evangélicos entramos num ascetismo extra-mundano difícil de superar.

Com a palavra de Freire era de se esperar que, os brios tocados dos evangélicos deflagrassem um processo cultural que certamente nos tiraria da esquisitice histórica e do desprestígio cultural em que fomos atirados. Mas não aconteceu, por causa do reacionarismo interno e do clima político externo que estava para se inaugurar.

A própria conferência já apresentava uma fraqueza, que seria o calcanhar de Aquiles para a realização daquele projeto. Refiro-me à departamentalização dos diferentes aspectos da missão da igreja. A responsabilidade social era um “setor” da Confederação Evangélica Brasileira. Nesses 45 anos conseguimos ensaiar uma recuperação de nosso papel histórico no Brasil e no mundo, ao reinserirmos a noção de integralidade à missão da igreja. Com isso, abrimo-nos para o aspecto da necessária transformação social, mas nunca conseguimos superar totalmente essa setorização dos aspectos da missão. É como se abríssemos válvulas em nossa esfera eclesiástica, pois ainda temos a imagem da igreja como uma esfera.

Para cumprirmos nosso mandato cultural, temos que substituir essa imagem rígida por uma mais dinâmica. Proponho que nos vejamos como fonte emissora de pulsões transformadoras, pulsões que são sempre emissões multiformes em todas as direções. Depois de algum tempo, as ondas emitidas se confundem com outras ondas, e talvez aí seja difícil admitirmos que nossos emissários são ainda evangélicos e não músicos, como é o caso de Bono Vox do U2, mais políticos que evangélicos, mais cientistas que evangélicos, e assim por diante. Certamente a desconstrução do conceito de identidade vai nos perturbar, mas essa é a única alternativa ao sectarismo. Aliás, essa foi a única saída para a salvação, isto é, a desconstrução que Cristo fez de sua identidade divina.

A Conferência do Nordeste e o todo seu entorno político e social brasileiro nos falam que a vida é forte, mas se manifesta de forma frágil. Ela é, como bem dizia Carlos Mesters, uma flor sem defesa. Temos que ser cautelosos e pacientes; não podemos deixar as grandes forças transformadoras serem apagadas pelos coturnos da violência. A maior de todas as forças transformadoras do universo também foi podada pela violência. Refiro-me à encarnação de Cristo. Ele sabia que isso iria acontecer, e deixou sua mensagem bem plantada nos corações de seus seguidores, de onde não poderiam ser arrancadas. Precisamos aprender essa lição com nosso Mestre, para que pulsões transformadoras como foi a Conferência do Recife não venham novamente a ser destruídas.


• Orivaldo Pimentel Lopes Júnior é professor de ciências sociais da UFRN, pastor da Igreja Batista Viva e presidente da Fraternidade Teológica Latino-Americana Brasil

Adoração na igreja evangélica contemporânea

Osmar Ludovico da Silva

Há dois tipos de música, a boa e a ruim — seja ela erudita, MPB, sertaneja, reggae, rap, rock ou gospel. O que me surpreende é a capacidade de o mercado absorver a música ruim. Com a proliferação de compositores, intérpretes, bandas e gravadoras, o cenário evangélico não poderia ser diferente. Tem música boa, mas também tem muita música ruim.

Passamos séculos louvando a Deus com hinos históricos da Reforma. Bastava um hinário, e tínhamos músicas com letras densas, boa teologia e linha melódica harmoniosa.

Nos últimos anos surgiu o que chamamos de louvorzão. Jogamos fora os hinários, a liturgia, aposentamos o piano e o coral e introduzimos a guitarra, a bateria, o data-show, as coreografias e a aeróbica. Surgiu também a figura do dirigente de louvor, responsável por animar a congregação. Daí para a frente há muito barulho, muitas palmas, muitas mãos levantadas, muitos abraços, muitas caretas e cenho franzido. Mas a pergunta que fica é: temos adoração?

O lado positivo do louvorzão é o interesse e a integração na igreja de milhares de jovens. Trata-se de uma oportunidade única para ensinar estes jovens, através do exemplo e da Palavra, o caminho do discipulado de Cristo. Mas fica a pergunta: estarão estes jovens crescendo na santidade e no serviço?

Alguns cultos se tornaram verdadeiras produções dignas da Broadway. Músicos profissionais, cenários, bailarinos e iluminação. Mas fica uma pergunta: toda esta parafernália cênica tem levado o povo de Deus a uma genuína adoração?

A história da Igreja é rica em manifestações artísticas. Ao longo do tempo o louvor foi expresso através de várias expressões musicais. O canto gregoriano, o barroco, os hinos da Reforma, o negro espiritual e os cânticos contemporâneos deixaram sua contribuição à boa música ao longo destes últimos séculos.

Trata-se, portanto, de um equívoco jogar fora toda a herança histórica e achar que esta geração descobriu a forma certa de louvar. Se olharmos do ponto de vista musical veremos que a história nos legou uma herança preciosa. Na cultura gospel do louvorzão tem muita música ruim, muita letra questionável e muito dirigente de louvor que mais parece um animador de auditório.

A igreja pode ser a ponte entre as gerações, entre o antigo e o novo e integrar na adoração tudo o que há de bom na sua herança histórica. Tem muita gente cansada do louvorzão barulhento de letras rasas, de bandas que tocam no último volume, de coreografias esvoaçantes e de ordens do dirigente para abraçar o irmão da frente, de trás e do lado dizendo que o amamos. É constrangedor abraçar alguém e dizer que o amamos quando nem sequer o conhecemos.

A igreja perde quando a ênfase do louvor se desloca da congregação para o palco. Com raras exceções a música é ruim, a letra não tem nada a ver com a realidade do cotidiano ou a teologia reformada e a performance no palco é apelativa.

A igreja perde quando se torna parecida com um programa de auditório e já não cultiva a boa música com cordas, sopros, bons arranjos, corais, quartetos. E perde muito mais quando a adoração se torna um evento estimulado sensorialmente e não uma melodia que emerge de um coração quebrantado e temente a Deus. Adoração é sempre uma resposta humilde, alegre, reverente àquilo que Deus é e faz. Adoramos porque algo aconteceu, algo nos foi revelado, e não o contrário, como pensam alguns, que recebemos a revelação e as coisas acontecem porque adoramos.

A igreja perde quando não há reverência ou temor. O que resta é euforia, excitação e sensações prazerosas. O que é bom em si mesmo, mas não é necessariamente adoração.

É um equívoco pensar que Deus se impressiona com nossos cultos de domingo. Antes, ele acolhe muito mais nossos gestos simples do cotidiano, fruto de um coração humilde e quebrantado, que busca se desprender de ambições e serve ao próximo com alegria. Adoração não é um evento domingueiro bem produzido, mas um estilo de vida que glorifica ao Senhor.

Durante séculos a arquitetura das igrejas e das catedrais destinou o balcão posterior ao coro, ao órgão e à orquestra. Na igreja da Reforma os músicos e o coro se posicionavam na parte da frente da nave, mas sempre ao lado. Mesmo o púlpito não estava no centro, mas ao lado. No centro havia, quando muito, alguns símbolos da fé, que ajudam a despertar a consciência para a experiência do sagrado, com destaque para a mesa do Senhor. A congregação ficava em face ao altar de Deus, sem que nada se interpusesse entre a Santa Presença e a congregação. Este lugar só pode ser ocupado por Jesus Cristo. Ele é o único mediador, ele é o único que pode dirigir o louvor.

Hoje o que se vê é o apóstolo, o bispo, o pastor, o dirigente de louvor e a banda ocupando este lugar, nos levando de volta à Antiga Aliança, quando sacerdotes e levitas eram mediadores entre Deus e os homens. A conseqüência é uma geração de crentes que dependem de homens, coreografias e data-shows para adorar e para ouvir a voz de Deus.

O verdadeiro pastoreio consiste em ajudar homens e mulheres a dependerem do Espírito Santo para seguirem a Cristo, que os leva ao seio do Pai. Ajudar homens e mulheres a crescerem e amadurecerem na fé, na esperança e no amor, integrando adoração, oração e leitura das Escrituras no seu cotidiano.

A contextualização se tornou uma armadilha na qual a igreja caiu. Na tentativa de se identificar com o mundo ela ficou cada vez mais parecida com ele. A cultura gospel é autocentrada, materialista, acha-se dona da verdade, tornou-se uma religião que nos faz prosperar, que não nos pede para renunciar a nada e que resolve todos os nossos problemas. Há um abismo colossal entre a cultura gospel e o evangelho de Jesus Cristo, que nos chama a amar sacrificalmente o nosso próximo, a cultivar um estilo de vida simples, a integrar o sofrimento na experiência existencial e a ter a humildade de ser um eterno aprendiz.

Estas reflexões já estavam fervilhando no meu coração há algum tempo. Pensei que estas coisas só aconteciam em certas igrejas, mas o que me motivou mesmo a colocá-las no papel foi ter participado de um culto numa Igreja Batista da Convenção.


• Osmar Ludovico da Silva é pastor da Igreja Evangélica Comunidade de Cristo em Cabedelo, PB. Ministra cursos de espiritualidade cristã, formação de líderes e restauração para missionários.

Sobre o homossexualismo

O termo homossexualismo refere-se à atividade sexual praticada entre pessoas do mesmo sexo. Especialistas concordam acerca do significado de “comportamento homossexual”, mas têm dificuldades em chegar a uma definição clara do que é ser homossexual. Alguns descrevem o homossexual com base na prática do homossexualismo, enquanto outros o fazem considerando a atração preferencial por pessoas do mesmo sexo. Uma pessoa pode sentir desejos homossexuais intensos sem nunca praticar o homossexualismo, enquanto há quem opte pela atividade mesmo quando a preferência é fortemente dirigida para o sexo oposto. Neste último caso, circunstâncias como a influência do alcoolismo ou confinamento em prisões podem precipitar a ocorrência de experiências homossexuais. O termo bissexual refere-se a indivíduos que praticam atividades tanto homo quanto heterossexuais, podendo haver predominância de uma dessas práticas.

Independentemente do como se conceitue homossexualidade, não há uma forma precisa de determinar sua prevalência. Alguns poucos estudos indicam que cerca de 4 a 5 % da população branca masculina conservam-se exclusivamente homossexual após a adolescência, enquanto entre 10 e 20 % mantêm relações regularmente com indivíduos de ambos os sexos. Pesquisas desenvolvidas com militares na Segunda Guerra Mundial revelaram que 1% dos homens em serviço eram homossexuais, estimando-se que idêntico percentual constituía-se de casos não detectados, isto é, 2% no total. Seja como for, as estatísticas revelam que o homossexualismo é pouco comum.

A história registra a homossexualidade em muitas civilizações antigas. Tanto o Antigo quanto o Novo Testamentos mencionam essa prática e são fortemente explícitos em proibi-las. Algumas civilizações — por exemplo, os antigos gregos — aparentemente aceitavam a prática do homossexualismo com pouca ou nenhuma desaprovação. Ainda que a maioria das culturas em nossos dias lide com essa questão, em certos grupos sociais não se encontraram nem sequer indícios de homossexualismo.

A causa da homossexualidade não está claramente identificada. As diversas teorias podem ser agrupadas em razão de apontar para um dos dois grupos gerais de causas: genéticas e psicogênicas.

O primeiro grupo, de causas “genéticas”, postula que um indivíduo pode herdar a predisposição para a homossexualidade. As teorias reunidas nesse grupo apontam para evidências obtidas em estudos com gêmeos, os quais revelam que a incidência de homossexualismo entre gêmeos idênticos é expressivamente maior do que em gêmeos não-idênticos.

Já o segundo grupo de teorias, chamado “psicogênico”, afirma que a identidade sexual é determinada pelo ambiente familiar e outros fatores do meio em que uma pessoa vive. Neste caso, as teorias apontam para a existência de denominadores comuns entre famílias de diversos homossexuais.

Pesquisas recentes indicam que as famílias mais propensas a gerar um rapaz homossexual são aquelas em que a mãe é muito íntima do filho, possessiva e dominante, enquanto o pai é desligado e hostil. São mães com tendência ao puritanismo, sexualmente frígidas e determinadas a desenvolver uma espécie de aliança com o filho contra o pai, a quem ela humilha. O filho torna-se excessivamente submisso à mãe, volta-se a ela em busca de proteção e fica ao seu lado em disputas contra o pai. Pais de homossexuais são freqüentemente distantes, não demonstrando entusiasmo ou afeição, e criticam os filhos. Sua tendência é menosprezar e humilhar o filho, dedicando-lhe muito pouco de seu tempo. O filho reage com medo, aversão e falta de respeito. Alguns estudiosos consideram que a relação entre pai e filho parece ser mais decisiva na formação da identidade sexual do jovem do que o relacionamento deste com sua mãe. Tais pesquisadores chegam a afirmar não ser possível uma criança se tornar homossexual se seu pai for carinhoso e amoroso.

Em alguns homossexuais é o medo do sexo oposto que parece ser o fator dominante, não a atração profunda por alguém do mesmo sexo. Uma vez resolvido esse medo com terapia, a heterossexualidade prevalece. Estudos recentes têm demonstrado, ainda, que a sedução por outros homossexuais — especialmente outros rapazes — não parece ser um fator relevante.

A chamada “homossexualidade latente” refere-se a conflitos emocionais similares aos da forma “aparente”, mas sem consciência do fato ou sem expressão pública dos conflitos.

Lesbianismo é o termo que se aplica à homossexualidade feminina. Como no caso do homossexualismo masculino, sua prevalência é desconhecida. Também neste caso a questão familiar desempenha um papel muito importante. Pesquisas demonstram que muitas mães de mulheres lésbicas tendem a ser hostis e competitivas com suas filhas, sendo muito ligadas aos filhos homens e ao pai. Além disso, os pais de mulheres homossexuais raramente desempenham um papel dominante na família e dificilmente mostram-se afeiçoados às filhas.

Tanto homens quanto mulheres homossexuais tendem ao isolamento e mostram dificuldade em fazer amizades, mesmo quando crianças. Na adolescência e na idade adulta eles raramente marcam encontros. A maioria dos homossexuais torna-se consciente de sua homossexualidade antes dos dezesseis anos — alguns até antes dos dez anos. Eles costumam optar pela vida em cidades grandes para aí formar seus próprios grupos sociais com regras, modo de vestir e linguagem próprios. Recentemente, tem-se observado o surgimento de organizações para melhorar a imagem do homossexual, as quais costumam negar que o homossexualismo seja um distúrbio ou anormalidade.

Leigos freqüentemente questionam se a homossexualidade deveria ser considerada uma doença ou um pecado. Uma coisa não exclui a outra. Pessoas cuja fé se baseia na Bíblia não podem duvidar que as claras proibições do comportamento homossexual façam dessa prática uma transgressão da lei divina. Por outro lado, há que se considerar a preponderância de opiniões de especialistas a apontar o homossexualismo como uma forma de psicopatologia que requer intervenção médica.

Muitos, em nossa sociedade moderna, negam a condição patológica do homossexualismo, recusam-se a considerar a existência de implicações de ordem moral e vêem a prática homossexual apenas como uma forma de expressão diferente do padrão de comportamento sexual da maioria da população. Assim, tais pessoas não apenas desencorajam a busca por ajuda como contribuem para que o homossexual se conforme com uma vida cada vez mais isolada e frustrante, independente de quão permissiva e condescendente nossa sociedade se torne.

Outra questão bastante levantada diz respeito à atitude da igreja em relação a homossexuais. Tais indivíduos se deparam com ouvidos insensíveis e portas fechadas na comunidade cristã. Essa reação intensifica os sentimentos de angústia e de solidão profunda, o completo desânimo que os assusta e, com freqüência, leva ao suicídio. Cristo, enquanto se opunha vigorosamente à doença e ao pecado, buscava doentes e pecadores com compreensão e misericórdia. A igreja erra quando se permite fazer menos.

A grande cobertura que a mídia faz do homossexualismo, resultado da recente atividade de organizações de homossexuais, tem tornado a homossexualidade mais aceitável como tópico de discussão. Dessa forma, a igreja sem dúvida tomará consciência do problema acontecendo com alguns de seus membros. Isto não deve surpreender, pelo menos por duas razões. Em primeiro lugar, o sentimento de solidão, a necessidade de contato humano e a imagem de si próprio como um desajustado levam o homossexual a ver a comunidade cristã como um refúgio e uma possível fonte de conforto. A outra razão está na frieza e rejeição, comuns no ambiente familiar, provocando ânsia por uma figura de pai amoroso, cálido e compassivo. É fácil entender como o cristianismo pode ser atraente, especialmente para suprir esta necessidade emocional.

Várias formas de psicoterapia têm sido usadas no tratamento de homossexuais, com diferentes níveis de sucesso. Como em qualquer tratamento psicoterápico, os resultados dependem de fatores múltiplos, com ênfase na motivação do paciente. Pessoas homossexuais tendem a ser desmotivadas, o que seja talvez um dos maiores desafios para o terapeuta. A experiência clínica tem mostrado que a motivação para mudar e a consciência do erro são essenciais para aumentar significativamente a expectativa de um tratamento bem-sucedido.


Nota
* Traduzido, com permissão de Baker Academic, uma divisão da Baker Publishing Group (www.BakerPublishingGroup.com), por Raquel Monteiro Cordeiro de Azeredo.